Alegram-se os céus e a terra baila

 

Música barroca portuguesa para o Natal

Nos séculos XVI e XVII o espaço litúrgico oferecia-se à confluência de múltiplas manifestações devocionais e também sociais e artísticas. Nas festas mais importantes, a igreja servia de palco não só para as cerimónias religiosas, mas também para música e representações teatrais alusivas à ocasião. O Natal era uma festa privilegiada neste domínio, existindo em Portugal um vasto e rico património musical produzido durante a era barroca, muito do qual se encontra ainda por explorar e interpretar.

            Alegram-se os céus e a terra baila abre uma janela sonora para os empolgantes tempos que então que se viviam: viagens, descobertas, o aproximar de culturas, avanços científicos, a extraordinária poesia e teatro do Século de Ouro Ibérico, a recuperação da independência portuguesa…

            Com a finalidade de louvar o Menino Jesus, desfilam personagens que representam a sociedade do século XVII: portugueses, galegos, castelhanos, africanos, marinheiros, pastores e pastoras, entre outros. Cada um, com as suas características e maneirismos, conduzem o ouvinte numa viagem que atravessa diferentes paisagens poéticas e sonoras. Ora divertida, ora comovente, ora cómica, ora devota, a música oferece diferentes olhares sobre o Jesus Infante:

            Reverência pela divindade que desce ao Mundo sob a forma de um recém-nascido.

            Ternura pela mãe que aconchega e aquece o seu delicado menino.

            Alegria pela recém obtida-independência.

            Esperança na redenção.

            Só podem, pois, os Céus alegrar-se ao ver que na Terra se canta e se baila…